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Revista online (newsletter) Edição de março de 2010 Novas Pesquisas com atletas de MMA (Vale-Tudo)O ideal seria que houvesse estudos com atletas de elite que somente se dedicassem às Artes Marciais Mistas (MMA)
Novas Pesquisas com atletas de MMA (Vale-Tudo) De modo geral, pelo fato de o MMA ser uma modalidade que engloba golpes de projeção, golpes traumáticos e técnicas de solo, tem sido adaptado artigos científicos de outras lutas como Boxe, Muay Thai, Jiu-Jítsu, Judô, etc. para tentar compreender melhor a dinâmica desse esporte e auxiliar atletas, técnicos e profissionais responsáveis pelo preparo físico dos lutadores. Essa estratégia (de adaptar informações de outras lutas para o MMA) tem se revelado na prática bem interessante. Contudo, o ideal seria que houvesse estudos com atletas de elite, que somente se dedicassem às Artes Marciais Mistas (MMA). Possivelmente, os resultados seriam ainda mais próximos da realidade desse esporte. Assim, apresento no artigo desse mês que escrevi especialmente para este site (Fisiculturismo.com.br), informações das pesquisas mais recentes realizadas com atletas de MMA. A primeira, realizada no Brasil pelo meu amigo Fabrício Boscolo Del Vecchio com o colega Sergio Hirata. Foi publicada no final de 2009 e intitulei “Olhar clínico no MMA”. As outras duas foram publicadas nos Estados Unidos (Janeiro e Fevereiro de 2010), e intitulei, respectivamente, de: “MMA: Evidências sobre Força x Velocidade (Potência)” e “Atletas de MMA são diferentes”. 1 – Olhar clínico no MMA
Introdução: As práticas corporais combativas, com destaque para as competições de artes marciais mistas (MMA), tem ganhado atenção do âmbito acadêmico. Destacam-se estudos das lesões desportivas e das demandas fisiológicas. Por outro lado, é essencial o melhor entendimento: 1) da temporalidade dos combates, 2) das relações de esforço:pausa, e 3) das ações motoras que definem as lutas. Objetivo: Investigar as variáveis relacionadas ao tempo de luta, à intensidade dos blocos de esforço e de pausa, bem como os desfechos dos combates, segundo gestos técnicos utilizados. Resultados: Dos 25 combates considerados, doze (48%) terminaram com knock-out, sete (28%) em função de decisão dos árbitros e 6 (24%) por submissão do oponente. A maioria teve seu fim em situações de esforços de alta intensidade no solo (48%), seguidas de esforços intensos em pé (28%), momentos de baixa intensidade em pé (12%) e no solo (4%), sendo que 8% das lutas acabaram durante o descanso dos lutadores. As ações motoras que mais geraram vitórias foram as de troca de golpes no solo (“ground and pound”, com 24%) e em pé (24%), seguidas de estrangulamentos e chaves articulares (12% cada). As intervenções médicas e decisões dos árbitros foram responsáveis por 28% dos términos. Ainda, 40% das contendas terminaram no terceiro round, 32% no primeiro e 28% no segundo. Conclusão: A maioria das lutas terminou no último round, em geral com troca intensa de golpes, sendo que chaves e estrangulamentos foram responsáveis por menos de 25% das vitórias. Os blocos de ataque que geraram vitórias duraram, em sua maioria, até 10 segundos, sendo que a relação de esforço:pausa é de 4:1, com gradiente diferenciado na intensidade dos estímulos no componente esforço. 2- MMA: Evidências sobre Força x Velocidade (Potência)
Os pesquisadores versaram sobre o paradoxo da contração muscular em referência à velocidade e força de ataque, simultaneamente, ou seja, potência dos golpes. De fato, ocorre o seguinte: quando o músculo se contrai, aumenta sua força e rigidez. Essa força gera um movimento mais rápido; contudo, a rigidez correspondente retarda a velocidade do golpe. Sob esse contexto, o objetivo do estudo foi investigar o processo de como essa força em situação de velocidade (potência) é realizada. Cinco atletas de elite de artes marciais mistas (MMA ou Vale-Tudo) foram recrutados, pelo fato de eles, dentre os requisitos da modalidade, terem de desenvolver força de ataque (ou de partida) muito rápida. A ativação muscular foi verificada por meio de eletromiografia e captação de movimentos em imagens formato 3-D. Boa diversidade de golpes traumáticos foi realizada pelos atletas. Observou-se que em muitos dos ataques, nos quais ocorre intenção de gerar movimento rápido, termina com força muito grande, impressionante, demonstrando pico "duplo" da atividade muscular. Um pico inicial foi cronometrado com o início do movimento que, presumivelmente, aumentava a rigidez e estabilidade por intermédio do corpo antes do movimento. Ele surgiu “criando” massa inercial na região central do corpo (CORE – abdômen, quadris, região lombar, etc.). Então, alguns músculos foram submetidos a uma fase de relaxamento enquanto a velocidade do movimento dos membros aumentava. Um segundo pico foi observado em contato com um suposto adversário (na pesquisa, em vez de um voluntário, disponibilizaram um saco pesado de Boxe para “receber” os golpes). Postulou-se que esse pico aumentava a rigidez muscular por meio das articulações, resultando em maior massa efetiva em função dos golpes e, provavelmente, gerava mais força nessas técnicas traumáticas. Vale lembrar que, assim como Potência é uma valência física resultante de Força x Velocidade; Força é resultante de Massa x Aceleração. Concluíram afirmando ser relevante em referência aos golpes realizados com força e velocidade (potência), não só considerar os músculos implicados na contração muscular desses golpes (denominados na literatura científica de “agonistas”), como os músculos procedentes em alto “grau” de relaxamento muscular durante a realização dessas técnicas (denominados na literatura científica de “antagonistas”). Esse achado sugere que, no treinamento de potência muscular (elásticos, pesos, halteres, etc.) específico para luta, devam ser treinados em proporções similares não apenas os músculos que favorecem os golpes, mas, também, aqueles que se opõem a eles. Informação complementar ao que foi ressaltada nessa pesquisa, publiquei em um artigo meses atrás no meu Blog e explicado com mais detalhes no livro Pronto Pra Guerra. Referência: McGill, SM, Chaimberg, JD, Frost, DM, and Fenwick, CMJ. Evidence of a double peak in muscle activation to enhance speed and force: an example with elite mixed martial arts fighters. The Journal of Strength & Conditioning Research, v.24, n.2, p.348-357, 2010. 3 - Atletas de MMA são diferentes
Os pesquisadores queriam verificar e confirmar a hipótese de que os atletas dessa modalidade possuem diferenças fisiológicas e de composição corporal quando comparados a atletas de outras artes marciais mais tradicionais como o Karatê, por exemplo. Grupo 1 (n = 6), composto por profissionais e amadores de MMA; Cada grupo realizou os mesmos testes. Os testes incluíam: peso, altura, composição corporal (bioimpedância), flexibilidade (teste de sentar e alcançar), salto vertical, resistência muscular, força de preensão, força máxima (supino - 1RM) e potência aeróbia (VO2 máx.). A composição corporal (percentual de gordura, massa muscular magra, etc.), foi o único parâmetro no qual houve diferença significativa entre os 2 grupos. Verificou-se que os atletas de MMA tinham menos gordura corporal do que os Karatecas. Apesar de ter sido encontrada diferença significativa entre os grupos apenas em referência à composição corporal, os autores sugeriram que um elevado nível de aptidão física é essencial para o desempenho tanto em artes marciais mistas (MMA) quanto no Karatê. Observaram que atletas de MMA geralmente treinam em elevadas intensidades com várias formas de treinamento intervalado para aprimorar a capacidade aeróbia. No livro Pronto Pra Guerra apresento diversos exemplos de treinamento intervalado para desenvolver aptidão aeróbia. Voltando ao estudo, embora o VO2 máx. verificado não ter sido significativamente diferente entre os 2 grupos, houve tendência para valores maiores no grupo de atletas de MMA. Referência: Braswell, Michael T; Szymanski, David J; Szymanski, Jessica M; Dixon, Erin E; Gilliam, Shane T; Wood, Roy J; Britt, Andrew T; Cicciarella, Charles F. Physiological Differences In Mixed Martial Artist And Traditional Martial Artists: A Pilot Study. The Journal of Strength & Conditioning Research, v.24, S.1, 2010. ============================================== O livro Pronto pra Guerra pode ser adquirido pelo site http://www.prontopraguerra.com.br
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