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>>Artigos >>Nacionais
>>Treinamento de Força para Idosos
>>Autor: Professor Rafael de Freitas
& Wilton Conservani
>>Data de publicação: 06/03/01
Ao implementarmos os exercícios com peso no
cotidiano dos idosos, estamos fazendo uso de um artifício para reduzir os declínios
de força e massa muscular relacionados com a idade a medida que esta avança.
Mantermos níveis ótimos de força possíveis para cada indivíduo é
fundamental para a qualidade de vida, principalmente para o bem estar psicológico
do praticante de mais idade, fazendo o mesmo sentir-se mais ativo e,
principalmente, independente. A fraqueza músculo-esquelética tem sido uma das
maiores causas de incapacidade nestas populações, predispondo os idosos a
quedas e limitando as atividades de seu cotidiano. A falta de condicionamento,
inatividade física ou doenças crônicas resultam numa diminuição de valências
físicas como: força, resistência, flexibilidade..., promovendo um decréscimo
do condicionamento funcional e da habilidade de executar tarefas rotineiras.
Fiatarone e col. (1990) demonstraram em uma bem conduzida pesquisa que mesmo
pessoas acima de 90 (noventa) anos apresentaram respostas neuromusculares após
serem submetidas a um programa de treinamento com sobrecarga por 8 (oito)
semanas (Fleck & Kraemer, 1997). Isto demonstra que o antiquado conceito de
que apenas "andar" é o suficiente para preservar o bem estar físico
de um indivíduo de mais idade deve ganhar novos contornos isentos das teorizações
exageradas quanto às lesões músculo-articulares, cabendo aos profissionais
que atuam na manutenção da saúde física do idoso ( Profissional de Educação
Física, Médico e Fisioterapeuta) estarem interados desta nova realidade e,
dessa forma, buscarem caminhos não apenas seguros, mas também efetivos para a
real melhora na qualidade de vida dos indivíduos por eles orientados. Sendo o
Profissional de Educação Física o elemento final nesta cadeia de conhecimento
(pois será ele quem irá prescrever a carga de treinamento para idosos sadios
ou com restrições estáveis), o mesmo deverá atentar para os detalhes que
envolvem este aluno especial. Estar em constante diálogo com seu médico é o
primeiro passo, pois são das informações dadas pelo clínico que se construirá
toda a estrutura e periodização do trabalho. Segundo: traçar as metas que se
pretende alcançar a curto, médio e longo prazo, lembrando de que o aluno deverá
ser colocado a par destas diretrizes para que possa estar ciente e integrado ao
processo. E terceiro: levantar alguns dados na literatura especializada para
poder direcionar toda sua estratégia de evolução da performance sem
equivocar-se quanto a métodos, sessões, intervalos... dentre outras variáveis
intervenientes no treinamento propriamente dito. De uma maneira geral, citaremos
aqui alguns destes dados por se tratarem exatamente do processo inicial do
planejamento. De início devemos saber que muito do déficit de força muscular
com o envelhecimento está relacionado com a atrofia seletiva das fibras
musculares do tipo II b, que são aquelas que respondem com maior facilidade a
estímulos de força (mais curtos e intensos) e menos aos de resistência (mais
longos e menos intensos). Daí já conseguimos uma justificativa para a implantação
da musculação no cotidiano das pessoas, já que esta modalidade permite adaptação
de cargas bastante personalizadas, e dessa forma o indivíduo poderá evitar
quedas bruscas em seus níveis de força por não deixar atrofiar estas tais
fibras musculares citadas anteriormente (Nota: praticar musculação não requer
necessariamente freqüentar uma academia. Exercícios de força podem ser
realizados com os recursos de nosso próprio lar, bastando que um professor os
adapte de maneira coerente e segura). A forma de adequar as cargas também
merece nossa atenção. Estas devem ser adaptadas pelo processo de 1 Repetição
Máxima (RM), que, segundo Fleck & Kraemer (1997), não apresenta nenhum
perigo para o idoso. Após a testagem, os percentuais deverão ser estipulados
pelo professor de acordo com o prévio diagnóstico conjunto que o mesmo
realizou com o médico, ressaltando que deve ser preservado o princípio básico
dos exercícios de força: cargas intensas o suficiente para um número
relativamente baixo de repetições. Um único porém neste tipo de treinamento
é que deve ser tomado cuidado para que a intensidade não chegue a chamada
falha concêntrica (aquele ponto onde o executante não mais consegue movimentar
a carga), pois é nesta fase que se apresentam as mais altas pressões sangüíneas
e freqüências cardíacas. Isso não quer dizer que o trabalho não deva ser
intenso e que um simples franzir de testa ou uma careta do praticante significará
necessariamente uma interrupção da sessão por "excesso de esforço".
Vale lembrar que, ao ingressar no treinamento com pesos, o idoso também passa a
estar sujeito as mesmas leis que se aplicam aos atletas e fisioculturistas, como
a continuidade dos treinamentos, pois se os mesmos não forem regulares com
certeza não serão nada eficientes. Outro: aprender a sentir e transmitir
informações sobre o seu próprio corpo, como fazem os pilotos de fórmula 1
quando querem modificar o comportamento do seu carro, só que neste caso o
piloto aprende a sentir as reações da máquina. E por último, mas não menos
importante, o repouso e a alimentação adequada. O repouso permitirá que as
valiosas informações prescritas pelo nutricionista viabilizem a resposta anabólica
propiciada pelo exercício. Esperamos que as informações contidas neste artigo
possam ser úteis a todos e que estamos a disposição para trocar idéias com
nossos colegas profissionais da saúde e praticantes de atividade física,
fazendo desta integração uma fonte permanente de aperfeiçoamento. Deixamos,
então, um último recado aos nossos leitores: "Se você já faz parte do
Clube da Feliz Idade, onde se acumulam a experiência e a maturidade de toda uma
vida, acredite nesta idéia de que poderá tornar seu corpo muito mais ativo e
dinâmico. Mas, caso você ainda não tenha chegado a tão honrosa idade,
procure olhar os exercícios com pesos menos por um lado estético e mais como
um agente propiciador da longevidade e independência motora."
>>Autor: Professor Rafael de
Freitas
>>Email: fisiorafafreitas@bol.com.br
>>CREF: I/2586/RJ
>>Qualificação: Pós-graduando em FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO -
UNIFESP Escola Paulista de Medicina
>>Página na internet: não disponível
>>Autor: Professor Wilton
Conservani
>>Email: não disponível
>>CREF: I/3464/RJ
>>Qualificação:Técnico da EQUIPE MASTER de Levantamento Básico
>>Página na internet: não disponível
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