|
>>Artigos >>Nacionais
>>Potencializando a hipertrofia muscular
>>Autor: José Maria Santarém
>>Data de publicação: 14/03/01
Para que o processo de aumento da massa
muscular ocorra com eficiência não basta oferecer o estímulo do treinamento físico.
Também é necessário manter o organismo em situação metabólica favorável.
Esta situação é a predominância do anabolismo sobre o catabolismo ou seja,
das reações de síntese sobre as reações de degradação de matéria. Quando
ocorre mais anabolismo do que catabolismo o balanço nitrogenado torna-se
positivo, com retenção de nitrogênio e aumento da massa muscular. O nitrogênio
é utilizado nessa situação como um marcador na proteina, e quando o seu balanço
está positivo, indica que está havendo incorporação de proteina alimentar em
tecido orgânico, na sua maior parte, músculo esquelético. As drogas
anabolizantes agem positivando o balanço nitrogenado, explicando o seu efeito
sobre a massa muscular. Devido aos inconvenientes de seu uso, é importante que
sejam divulgadas outras formas de estimular o anabolismo e reduzir o
catabolismo.
Os mais importantes hormônios anabolizantes do
organismo são a testosterona (hormônio sexual masculino), produzido pelos testículos,
o GH (hormônio do crescimento), produzido pela hipófise, e a insulina,
produzida pelo pâncreas. A testosterona é estimulada pelos exercícios,
principalmente pelos exercícios de força, e pela ingestão adequada de
gorduras, visto que este hormônio é sintetizado a partir do colesterol. O GH
é um hormônio sintetizado a partir de aminoácidos, sendo estimulado pela
proteina alimentar, e também pelo treinamento, em particular pelos exercícios
de força. Durante o sono também ocorre liberação de GH, sendo assim
importante o descanso adormecido para o esportista. A insulina também é
sintetizada a partir de aminoácidos e é estimulada pela ingestão de
carboidratos. Recentemente se demonstrou que a maior produção de insulina
decorrente da ingestão frequente de carboidratos ao longo do dia consegue
aumentar a síntese proteica, aumentando a positividade do balanço nitrogenado.
Assim sendo, para estimular ao máximo o
anabolismo devemos treinar com pesos, descansar o mais possivel, ingerir
proteinas em quantidades adequadas (cerca de 2 gramas por quilo por dia), não
restringir totalmente as gorduras da alimentação, e ingerir carboidratos várias
vezes por dia. Pode ser oportuno lembrar que nas duas horas após os exercícios
a ingestão de carboidratos é particularmente importante devido à facilitação
metabólica para a síntese de glicogênio.
O catabolismo muscular ocorre em toda situação
de estresse orgânico ou emocional devido ao aumento da produção de cortisol,
hormônio da glândula supra-renal. As pessoas tensas e angustiadas produzem
maiores quantidades de cortisol durante todo o dia. Durante os exercícios também
ocorre grande aumento na produção de cortisol. Também contribuem para a
degradação de tecido muscular a desidratação dos músculos durante os exercícios,
e o aumento da concentração de amônia decorrente das reações químicas que
liberam energia a partir da molécula de ATP.
Para reduzir o catabolismo devemos procurar
manter as emoções sob controle e realizar treinos curtos. Dessa forma a
desidratação e a produção de cortisol e de amônia não serão excessivas.
Recentemente foi verificado que a creatina é uma substância que pode favorecer
o aumento de massa muscular. Entre as hipóteses para explicar esse efeito estão
o já documentado efeito ergogênico dessa substância (imagina-se que treinos
mais pesados devem estimular mais hipertrofia), o aumento da hidratação dos músculos,
e a redução de amônia devido à maior disponibilidade de ATP. Outra substância
que talvez favoreça a redução do catabolismo é a glutamina, devido ao seu
efeito de neutralizar quimicamente a amônia, e por também estimular a hidratação
dos músculos. No entanto, apesar da situação promissora, a utilização de
creatina e glutamina com o objetivo de estimular a massa muscular ainda está em
fase experimental, e as doses e esquemas de administração atuais são
totalmente empíricos. Um esquema coerente com a fisiologia, embora de eficácia
ainda não estabelecida, é a utilização antes do treino de duas ou três
gramas de creatina e a mesma quantidade de glutamina; após o treino, duas
gramas de glutamina, e mais duas tomadas de uma grama de glutamina a cada 3 ou 4
horas.
Considerando todos os aspectos anteriormente
abordados podemos verificar que existem muitas atitudes a nivel de treinamento,
alimentação e suplementação que podem e devem ser tentadas para maximizar o
aumento da massa muscular. A compreensão e dedicação à essas condutas talvez
possam trazer muito progresso em termos de massa muscular, e mesmo para os mais
ambiciosos atletas, podem ser alternativas seguras para as perigosas drogas
anabolizantes.
>>Autor: José
Maria Santarém
>>Email: jmsantarem@terra.com.br
>>Página na internet: http://www.saudetotal.com/santarem.htm
|