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>>Os diuréticos, o sal e o fisiculturista (culturista)
>>Autor: José Maria Santarém
>>Data de publicação: 14/03/01
Os diuréticos são medicamentos que aumentam a
eliminação de água, efeito muito útil para o tratamento da hipertensão
arterial e da insuficiência cardíaca. As drogas mais frequentemente utilizadas
agem promovendo a excreção renal de sódio (sal), e o aumento da concentração
de sal na urina puxa a água para fora do corpo. A definição muscular pode ser
prejudicada por uma maior quantidade de água no tecido sub-cutâneo, razão
pela qual muitos culturistas tentam eliminar essa água utilizando diuréticos
próximo das competições. Outra razão para utilização de diuréticos por
atletas em geral é a tentativa de abaixar rapidamente o peso corporal para
atender a faixa de peso de uma determinada categoria de competição. Apesar
desses efeitos úteis para o atleta, o uso de diuréticos tem alguns
inconvenientes e riscos.
No caso da definição muscular, embora esta
qualidade possa realmente melhorar, ocorre um efeito indesejável importante: a
diminuição do volume dos músculos, que depende em mais de 70 % da água, também
eliminada pelos diuréticos. Outros inconvenientes são a redução do
desempenho atlético devido à perda de sais minerais e água, a tendência para
as cãimbras, queda da pressão arterial, tonturas e desmaio. Dosagens
excessivas aumentam a possibilidade de efeitos colaterais e começa a haver
risco de complicações mais sérias como as arritmias e a parada cardíaca, por
desidratação e queda do potássio do sangue, outro efeito de muitos diuréticos.
Os diuréticos estão implicados em muitos casos de morte súbta em atletas.
Esse risco aumenta ainda mais quando ocorre restrição de água, uso de
comprimidos de potássio e de drogas como o clembuterol, que aumentam a
concentração de pótássio nas células. Atletas costumam utilizar potássio
para contrabalançar a perda desse sal promovida pelos diuréticos, mas o
aumento do potássio nas células do coração é outro mecanismo de parada cardíaca.
Na tentativa de controlar a quantidade de água
no corpo, muitos musculadores utilizam manipulações dietéticas do sal e da água,
frequentemente com resultados desastrosos para seus objetivos. Devido à que
grandes quantidades de sal na alimentação promovem um aumento da retenção de
água, muitos atletas eliminam totalmente o sal e restringem a ingestão de água.
O problema é que este procedimento também leva à retenção de água. Para
entendermos melhor esses mecanismos é necessário estudar como o organismo
controla a quantidade de água do corpo.
Quando a ingestão de sódio aumenta ou abaixa,
e quando a ingestão de água diminui, ocorre a liberação de dois hormônios:
a aldosterona pela glândula supra-renal e o ADH (hormônio anti-diurético em
inglês) pela glândula hipófise. A ingestão de grandes quantidades de água não
altera a produção desses hormônios, apenas aumentando a eliminação de urina
diluida pelos rins. A aldosterona age retendo sódio nos rins e consequentemente
aumentando a água do corpo. O ADH age aumentando diretamente a absorção de água
nos rins. O mecanismo de controle da água do corpo é muito sensível e
eficiente, o que se compreende pela importância da boa hidratação do
organismo para a manutenção da vida. A melhor conduta para evitar a retenção
de água e garantir a hidratação muscular é ingerir sal e água em
quantidades normais em todas as fases do treinamento. A única modificação que
parece ser útil é diminuir um pouco a quantidade de sal nos últimos dois ou
três dias da preparação para campeonatos de musculação.
Outras razões existem para que nunca se
elimine totalmente o sal da alimentação. O transporte de aminoácidos e de
glicose para dentro das células depende de adequada concentração de sódio no
organismo. Assim sendo, a síntese de proteinas e de glicogênio podem ser
prejudicadas pela restrição de sódio. Esses efeitos podem prejudicar a
hipertrofia a longo prazo, e no caso da preparação para campeonatos, podem
significar a diferença entre a vitória ou a derrota. Na ausência de sal não
é possivel conseguir a saturação de glicogênio e água tão necessária para
inflar os músculos no dia do campeonato. Por esta razão é comum que atletas
em dietas inadequadas apresentem-se melhor alguns dias depois dos campeonatos,
quando voltam a comer normalmente. Os maiores êrros de alimentação dos
culturistas em preparação para campeonatos são a redução excessiva dos
carboidratos e da água, e a eliminação do sal. Êrro adicional é a utilização
de diuréticos e outras drogas. Todos esses fatores afastam o atleta do seu
objetivo e ainda colocam em risco sua saúde.
>>Autor: José
Maria Santarém
>>Email: jmsantarem@terra.com.br
>>Página na internet: http://www.saudetotal.com/santarem.htm
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