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>>Hipertrofia muscular, aptidão física, saúde e qualidade de vida
>>Autor: José Maria Santarém
>>Data de publicação: 14/03/01
OS EXERCÍCIOS COM PESOS
Os chamados exercícios resistidos, ou exercícios
contra-resistência, geralmente são realizados com pesos, embora existam outras
formas de oferecer resistência à contração muscular. Musculação é o termo
mais utilizado para designar o treinamento com pesos, fazendo referência ao seu
efeito mais evidente, que é o aumento da massa musular. Assim sendo, musculação
não é uma modalidade esportiva, mas uma forma de treinamento físico. Os exercícios
com pesos constituem a base do treinamento do culturismo (musculação de
competição) e dos levantamentos de peso (básico e olímpico), além de
participarem da preparação de atletas de diversas outras modalidades. Pelas
suas qualidades, a musculação passou a ocupar lugar de destaque nas academias,
onde o objetivo é a preparação física das pessoas, independentemente de
objetivos atléticos. Além de induzir o aumento da massa muscular, os exercícios
com pesos estimulam a redução da gordura corporal e o aumento de massa óssea,
levando à mudanças extremamente favoráveis na composição corporal. Homens e
mulheres de tôdas as idades podem mudar favoravelmente a forma do corpo com a
ajuda do treinamento com pesos. Do ponto de vista funcional, os exercícios com
pesos desenvolvem importantes qualidades de aptidão, constituindo uma das mais
completas formas de preparação física. Uma das características mais
marcantes dos exercícios com pesos é a facilidade com que podem ser adaptados
à condição física individual, possibilitando até mesmo o treinamento de
pessoas extremamente debilitadas. Pela ausência de movimentos rápidos e
desacelerações, os exercícios com pesos apresentam também baixo risco de lesões
traumáticas. Por tôdas as suas qualidades, e pela documentação da sua
segurança geral, o treinamento com pesos ocupa hoje lugar de destaque em
reabilitação geriátrica e em terapêutica por exercícios.
MASSA MUSCULAR
O volume dos músculos das pessoas é
determinado pelas suas condições genéticas e pelas características da
atividade física à qual foi submetido. Algumas pessoas apresentam boa massa
muscular, mesmo com estilo de vida sedentário, o que se explica por um código
genético favorável. No entanto, com o avançar da idade, mesmo essas pessoas
irão perdendo massa muscular por falta de exercícios. Qualquer exercício
estimula algum aumento de massa muscular, embora os exercícios resistidos sejam
os mais eficientes nesse sentido. Os exercícios com pesos também produzem
resultados variáveis em pessoas diferentes. As pessoas que reagem melhor,
aumentando rapidamente a massa muscular, parecem possuir maior número de fibras
nos músculos esqueléticos ao nascimento. Diferenças metabólicas também
podem ter influência no potencial para massa muscular, mas este aspecto ainda não
está bem esclarecido. O efeito do treinamento é estimular a hipertrofia ou
seja, o aumento de volume das fibras musculares. Tanto as fibras musculares
brancas (do tipo II ou glicolíticas ou rápidas) quanto as vermelhas (do tipo I
ou oxidativas ou lentas) apresentam hipertrofia. As fibras brancas são maiores
do que as vermelhas, tanto nos sedentários quanto nos atletas. Algumas evidências
sugerem que o treinamento com pesos grandes e baixas repetições (menos de 5)
estimulam mais as fibras brancas, e que o treinamento com repetições mais
altas (acima de 5) estimulam a hipertrofia de ambos os tipos de fibras. O
treinamento com pesos apresenta dois tipos de sobrecargas, úteis para a
hipertrofia: sobrecarga tensional e sobrecarga metabólica, esta do tipo energética
anaeróbia. A sobrecarga tensional é o grau de tensão que ocorre no músculo
durante a contração, e é proporcional à resistência oposta ao movimento.
Quanto maior o peso, maior a sobrecarga tensional. A sobrecarga metabólica é a
solicitação acentuada dos processos de produção de energia, e nos exercícios
com pesos é dada pelas repetições mais altas e pelos intervalos curtos entre
as séries. Estas sobrecargas ocorrem sempre juntas, embora seja possivel
enfatizar uma ou outra. Pesos grandes e consequentemente baixas repetições,
enfatizam a sobrecarga tensional, enquanto que pesos não tão grandes, que
permitem mais repetições, enfatizam a sobrecarga metabólica. A sobrecarga
tensional estimula o aumento das miofibrilas, e este é o principal mecanismo da
hipertrofia muscular. A sobrecarga metabólica estimula o aumento da rêde
proteica estrutural, das mitocôndrias, e também o acúmulo de glicogênio e água
dentro da célula. O glicogênio pode triplicar a sua quantidade, e cada grama
dessa substância carrega consigo quase três gramas de água. O resultado do acúmulo
de glicogênio e água é o aumento da consistência do músculo, que se torna
mais firme à palpação. Outro efeito da sobrecarga metabólica é a maior
vascularização dos músculos. Todos esses efeitos ocorrem tanto nas fibras
brancas quanto nas vermelhas. A associação de sobrecargas que parece ser mais
eficiente para o aumento de massa muscular utiliza repetições em torno de 10,
e intervalos entre séries de 1 à 2 minutos. Repetições mais altas e/ou
intervalos mais curtos costumam ser utilizadas para intumescer e vascularizar os
músculos, geralmente associadas à dietas para definição, para efeito de
campeonatos ou apresentações. O grau de sobrecarga tensional ou seja, a
quantidade de peso a ser utilizada, costuma ser determinada experimentalmente em
cada sessão: utilizam-se pesos leves nas primeiras séries para aquecimento, e
nas últimas séries do exercício escolhe-se um peso que permita a realização
das repetições planejadas com dificuldade. O método de determinação de
carga máxima para uma repetição (1 RM) costuma ser utilizado como parâmetro
de avaliação do desempenho em trabalhos científicos. Em nível de
treinamento, técnicos experientes em musculação não utilizam o teste de 1 RM.
Mesmo com os estímulos adequados, a hipertrofia muscular poderá não ocorrer
caso não haja completa recuperação do organismo entre as sessões de
treinamento. As programações mais eficientes em induzir o aumento de massa
muscular caracterizam-se por serem curtas, e por incluirem pelo menos dois dias
de descanso total do organismo em cada semana. O uso de anabolizantes permite
que o treinamento seja mais exaustivo, mas não garante que os resultados sejam
muito diferentes do treinamento sem drogas bem orientado. Geralmente os
anabolizantes só fazem grande diferença quando a pessoa treina excessivamente.
Embora não se possa negar que os anabolizantes favoreçam a musculação, essas
substâncias não mudam o potencial genético, e portanto não são
"formadoras de campeões" como popularmente se imagina. Além disto,
colocam os usuários em grupos de risco estatístico para várias doenças
graves.
APTIDÃO FÍSICA
A sobrecarga tensional do treinamento com pesos
estimula diretamente a força, e a sobrecarga metabólica, a resistência anaeróbia.
Esta é a capacidade de prolongar esforços de alta intensidade. A coordenação
é altamente estimulada devido aos movimentos localizados, amplos e
relativamente lentos que caracterizam os exercícios com pesos. A flexibilidade
tende a aumentar porque a hipertrofia se acompanha sempre de importante aumento
do tecido conjuntivo elástico intra-muscular, mesmo quando os exercícios forem
parciais. Além disto, os exercícios com pesos forçam os limites de amplitude
dos movimentos, principalmente quando as articulações estão limitadas por
retrações capsulares como as induzidas pelo sedentarismo. Quando a pessoa já
está com grandes amplitudes articulares a musculação não pode aumentar a
flexibilidade, embora os músculos fiquem mais elásticos e resilientes. A
velocidade de movimentos é uma característica genética que parece não se
modificar com a musculação. As diversas manisfestações de potência são
bastante estimuladas porque dependem da força e da resistência anaeróbia que
aumentam bastante. Até mesmo a resistência aeróbia aumenta com os exercícios
com pesos, embora não aumente significativamente o VO2 máx. A
explicação é o aumento do limiar anaeróbio ou seja, a maior intensidade de
esforço que a pessoa consegue realizar aerobiamente. Uma hipótese para
explicar o aumento do limiar anaeróbio é a maior capacidade contrátil das
fibras vermelhas hipertrofiadas, que conseguiriam realizar maior quantidade de
trabalho antes que as fibras brancas fossem recrutadas. Para o objetivo de uma
preparação física completa, os exercícios com pesos costumam ser associados
à alguma forma de exercício aeróbio, para aumentar o VO2 máx.
QUALIDADE DE VIDA
Entende-se por "boa qualidade de
vida" a condição das pessoas não se sentirem limitadas para tarefas que
desejam realizar por falta de condição física. Evidentemente uma pessoa que
tenha bem desenvolvidas tôdas as qualidaders de aptidão estará preparada para
qualquer tipo de esforço. O sedentarismo é a cauda mais frequênte de má
condição física, dominuindo todas as qualidades de aptidão. Considerando-se
os esforços mais comuns na vida diária e no trabalho braçal, a diminuição
de força e flexibilidade são as mais prejudiciais para a qualidade de vida. A
condição aeróbia acima da média, que seria importante para prolongar esforços
de baixa intensidade, não é condição necessária para a realização das
tarefas da vida diária, e da grande maioria das formas de trabalho braçal.
Quando uma pessoa debilitada apresenta dispnéia e taquicardia frente à
pequenos esforços, estamos diante de um efeito da falta de força muscular.
Explicando melhor: a quebra da homeostase nos exercícios é proporcional à
intensidade do esforço, ou seja, quanto maior a intensidade do esforço, maior
a repercussão hemodinâmica. A intensidade do esforço é um conceito relativo,
e que depende do porcentual de capacidade contrátil que está sendo utilizado.
Assim sendo, uma tarefa qualquer será de baixa intensidade para uma pessoa
forte e de alta intensidade para uma pessoa enfraquecida. Pessoas fortes
utilizam menor porcentual de capacidade contrátil do que pessoas debilitadas,
para as mesmas tarefas. Ao aumentar a força muscular portanto, consegue-se
diminuir a intensidade dos esforços em geral. No caso de uma pessoa com boa força
muscular, na vida diária e no trabalho braçal, a homeostase somente será
afetada na medida em que houver necessidade de prolongar os esforços, o que
exige resistência. Nestas situações, o tipo de resistência necessária e a
anaeróbia. Estes recentes conhecimentos de fisiologia do exercício explicam
porque os exercícios com pesos são tão eficientes em reabilitação geriátrica.
O aumento da força e da flexibilidade devolve rapidamente qualidade de vida aos
idosos e, mais do que isto, auxilia na prevenção de quedas, com consequente
diminuição da mortalidade. Além disto, a adaptabilidade dos exercícios com
pesos à pessoas com qualquer condição física, e o baixo índice de lesões,
contribuem para a escolha preferencial desses exercícios para pessoas idosas e
debilitadas.
MEDICINA DO EXERCÍCIO
Entende-se por medicina do exercício o estudo
das relações que existem entre os exercícios físicos e as doenças humanas,
nos aspectos profiláticos, terapêuticos e de concomitância. Medicina do exercício
não é uma especialidade médica. Trata-se de uma área do conhecimento, de
importância para todos os médicos, e para várias especialidades como a
epidemiologia, clínica médica, medicina esportiva, fisiatria, ortopedia,
geriatria, e outras. Também na educação física, na fisioterapia, e em outras
áreas onde os profissionais utilizam a atividade física, é importante
conhecer as relações do exercício com as doenças. Na área da profilaxia de
doenças, numerosos estudos contribuem para que a atividade física seja
considerada um dos fatores estimulantes da saúde, diminuindo os riscos das
pessoas desenvolverem algumas condições patológicas. Tudo indica que a
atividade física atua diminuindo o stress emocional, alterando
favoravelmente a fórmula sanguínea, reduzindo a gordura corporal, aumentando a
massa muscular, aumentando a densidade óssea, ativando o metabolismo dos
nutrientes, modulando o sistema imunológico, e proporcionando aptidão física
para uma boa qualidade de vida. A maioria dos estudos no entanto, são de
natureza populacional, e algumas dúvidas ainda não puderam ser respondidas.
Exemplificando: ainda não se sabe qual o volume e a intensidade de atividade física
suficientes para desencadear os efeitos benéficos para a saúde. Sabe-se apenas
que volumes e intensidades excessivos são prejudiciais. Por outro lado, alguns
aspectos já estão razoavelmente bem esclarecidos. Por exemplo, qualquer tipo
de atividade física parece ser saudável, esportiva ou laborativa, desde que
compatível com a condição física da pessoa.
PERÍODO DE CRESCIMENTO - A literatura científica
não confirma as hipóteses de prejuizo à saúde ou ao desenvolvimento de crianças
e adolescentes em treinamento com pesos. No entanto, por prudência, técnicos
experientes concordam em evitar grande sobrecarga tensional e grandes volumes de
treinamento.
PESSOAS IDOSAS - Pessoas idosas e sedentários
devem ser treinados com pesos com os mesmos cuidados dispensados às crianças e
aos adolescentes, com mais uma precaução: as amplitudes dos movimentos
precisam ser cuidadosamente adaptadas para cada caso individual. Frequantemente
idosos apresentam retrações capsulares e processos degenerativos articulares
que impedem grandes amplitudes de movimento. As retrações capsulares,
geralmente por sedentarismo, são lentamente corrigidas forçando-se um pouco os
limites do movimento. A dor forte e persistente nos limites da amplitude indica
processos degenerativos que devem ser respeitados. Nesses casos utilizam-se
pesos difíceis para efeito de treinamento, mas sem forçar os limites das
amplitudes.
ATEROSCLEROSE - A deposição de placas de
colesterol (ateromas) na parede das artérias recebe o nome de aterosclerose.
Arteriosclerose é outra situação: trata-se do endurecimento das paredes
arteriais. As pessoas idosas costumam apresentar arteriosclerose mas nem todas
apresentam depósito de ateromas. A arteriosclerose diminui a capacidade de
adaptação do sistema vascular aos esforços, mas sem maiores consequências
para a saúde. Ao contrário, a aterosclerose leva ao enfraquecimento e dilatação
localizada (aneurismas) das artérias, que podem se romper. Além disto, as
placas de ateromas diminuem o fluxo de sangue para os diversos órgãos, e em
situações de aumento da demanda por oxigênio podem precipitar um infarto
(morte tecidual). Os exercícios físicos, incluindo os exercícios com pesos,
diminuem os triglicerídeos no sangue, diminuem também as lipoproteinas nocivas
(LDL), e aumentam os níveis das lipoproteinas benéficas (HDL), diminuindo
assim o risco de aterosclerose.
HIPERTENSÃO ARTERIAL - A pressão arterial
elevada em repouso é uma doença cuja causa na maioria das vezes é
desconhecida, provavelmente com um importante componente genético. A pressão
arterial constantemente elevada favorece a aterosclerose, e produz o
enfraquecimento do coração, podendo se instalar a insuficiência cardíaca. A
hipertrofia do miocárdio nesses casos é dita patológica, caracterizando-se
pelas diminuições das câmaras cardíacas, e pode originar arritmias, angina e
morte súbita. A hipertrofia cardíaca dos atletas é fisiológica e não se
acompanha de fenômenos prejudiciais à saúde. Durante qualquer tipo de exercício
ocorre aumento da pressão arterial mas por pouco tempo, atuando a sobrecarga
pressórica nesse caso, como fator de treinamento. Os exercícios com pesos
somente produzem aumento de presão arterial muito superior à outras formas de
exercícios quando se utilizam altas sobrecargas tensionais, principalmente
quando ocorrem contrações isométricas em apnéia. Pessoas hipertensas
treinando com pesos devem evitar essas situações porque a elevação aguda e
intensa da pressão arterial sistólica pode levar à acidentes hemorrágicos
pela rotura da parede de artérias enfraquecidas pela deposição de ateromas.
No entanto, qualquer tipo de atividade física, incluindo o treinamento com
pesos, contribui para o tratamento dos hipertensos. A pressão arterial em
repouso diminui, embora durante os exercícios ocorra aumento dos níveis pressóricos.
Em exercícios como a corrida, o ciclismo e a natação, quando o praticante for
hipertenso, deve ser evitada a velocidade elevada de movimentos, que também
produz aumentos mais acentuados da pressão arterial.
CARDIOPATIAS - O perigo dos exercícios para a
maior parte das cardiopatias está no aumento da taxa metabólica do miocárdio
durante o esforço. Sempre que faltar oxigênio para o miocárdio poderão
ocorrer angina, infarto, arritmias, ou parada cardíaca. Na aterosclerose das
coronárias a oferta de sangue oxigenado já está diminuida em repouso e a
situação se agrava no exercício. Em situações de hipertrofia patológica
como a cardiomiopatia hipertrófica (doença genética) e na cardiomiopatia
hipertensiva, a demanda por oxigênio já é alta em repouso, e novamente a
situação é mais grave durante o exercício. Na hipertrofia cardíaca do
atleta, o aumento da demanda do miocárdio se acompanha de aumento proporcional
de oferta pelas coronárias. No caso dos distúrbios de condução elétrica do
miocárdio, como nos bloqueios de ramo, o aumento do trabalho cardíaco nos
exercícios pode não ocorrer, gerando insuficiência funcional, ou pode ocorrer
desordenadamente, levando à arritmias e morte súbta. Recentes trabalhos
documentaram que os exercícios com pesos possuem características que os tornam
relativamente seguros para cardiopatas, desde que não se utilizem grandes
cargas. Basicamente a diferença entre os exercícios com pesos e os exercícios
aeróbios, do ponto de vista cardiológico, é que a pressão arterial aumenta
um pouco mais nos exercícios com pesos, e a frequência cardíaca aumenta muito
menos. Estes dois aspetos contribuem para a segurança cardiológica: a pressão
arterial aumentada, dentro dos limites de segurança, aumenta o fluxo
coronariano, e a frequência cardíaca mais baixa, não aumenta muito a taxa
metabólica do miocárdio, e não sobrecarrega o sistema de condução de
impulsos.
OBESIDADE - A maior parte das pessoas obesas
apresentam colesterol alto e HDL baixo, favorecendo a aterosclerose. Além
disto, a obesidade leva à hipertensão arterial, o que também agrava a
aterosclerose. Muitos obesos também são diabéticos, e portanto apresentam
degenerações nas paredes vasculares. O resultado da interação desses fatores
é uma alta insidência entre obesos de angina, infarto, insuficiência cardíaca,
arritmias e morte súbta. A base metabólica da obesidade é que as calorias
ingeridas e não utilizadas são armazenadas como gordura. Alguns obesos
apresentam taxas metabólicas baixas e ingestão normal de alimentos, enquanto
em outros encontra-se super-alimentação e sedentarismo. Qualquer tipo de
atividade física combate o obesidade por manter a taxa metabólica mesmo na vigência
de dietas hipocalóricas, e por aumentar o gasto energético. Além desses
aspectos, a longo prazo ocorre aumento de massa muscular, o que aumenta o
metabolismo basal, favorecendo ainda mais o emagrecimento. Nesse último
aspecto, a musculação é evidentemente superior à outras formas de atividade
física. Com relação ao metabolismo energético do esforço ser aeróbio ou
anaeróbio, a única diferença é que o emagrecimento ocorre em momentos
diferentes: durante os exercícios aeróbios e após os exercícios anaeróbios.
Vérios trabalhos que estudaram o assunto documentaram o mesmo nível de
emagrecimento entre exercícios aeróbios e exercícios com pesos, no curto
prazo. A longo prazo, espera-se vantagem dos anaeróbios em função do maior
estímulo à massa muscular.
DIABETES - O diabetes mellitus caracteriza-se
por aumento da glicose no sangue e consequentemente na urina. Ocorre aumento na
quantidade de urina (poliúria) por ação osmótica, sêde intensa (polidipsia)
e emagrecimento (uso de gordura como energia pela impossibilidade de usar a
glicose). A glicose aumenta no sangue por que não pode entrar na célula, por
uma ou mais das seguintes razões: falta de produção de insulina pelo pâncreas
(diabetes tipo I ou juvenil); diminuição da produção de insulina (diabetes
adulto ou tipo II); aumento da resistência à ação da insulina nas células
(diabetes adulto ou tipo II). Qualquer atividade física ajuda no tratamento do
diabetes porque: durante os exercícios a glicose entra nas células sem a
necessidade de insulina e portanto a glicemia abaixa; os exercícios habituais
diminuem a resistência à insulina nas células. Este último efeito sugere que
a musculação seja particularmente útil a longo prazo, porque o aumento da
massa muscular aumenta a quantidade de tecido captador de glicose, mesmo em
repouso, ajudando a controlar melhor a glicemia. Devido à fragilidade vascular
dos diabéticos, recomenda-se evitar sobrecargas tensionais que aumentem muito a
pressão arterial. Durante as sessões de treinamento os diabéticos podem
apresentar crises de hipoglicemias, podendo ficar torporosos, quando então
deverão receber alguma forma de açúcar. Caso o torpor seja por hiperglicemia,
não haverá prejuizo, mas se for por hipoglicemia, o açúcar poderá salvar
uma vida, pois o coma hipoglicêmico pode evoluir rapidamente para a morte. Com
a atividade física habitual os diabéticos tendem a precisar de menores doses
de medicamentos.
LESÕES MÚSCULO-ESQUELÉTICAS - A sobrecarga
tensional dos exercícios com pesos estimulam o aumento da massa óssea e da
massa muscular, e a proliferação do tecido conjuntivo elástico nos músculo,
tendões, ligamentos e cápsula articular. Tudo indica que também estimulam
troficamente a cartilagem hialina das articulações. O resultado prático é
todo um complexo músculo-esquelético mais forte e mais resistente à lesões.
Estatísticas indicam que as lesões no treinamento com pesos ocorrem mais
frequentemente quando ocorre: uso de cargas máximas para uma repetição;
equipamento mal projetado; treinamento mal orientado. Atualmente a literatura
científica não dispõe de estudos experimentais ou levantamentos de casos
conclusivos sobre as técnicas mais seguras para a execução dos exercícios
com pesos. Nesta situação, o conhecimento adquirido por tentativa e êrro por
parte dos técnicos experientes é o mais confiável no sentido de evitar lesões.
Frequentemente essas técnicas são endossadas por análise biomecânica dos
movimentos. No entanto, com alguma frequência, hipóteses de que tais técnicas
são perigosas são levantadas, mas devemos sempre nos lembrar de que na falta
de conhecimento científico, a ciência considera o conhecimento popular mais próximo
da verdade do que as hipóteses não documentadas. As cãimbras, que predispõem
às distensões musculares, são frequentes quando os músculos estabilizadores
são sobrecarregados em contrações isométricas. Para evitar essa situação,
devemos buscar sempre a posição de melhor equilíbrio do centro de gravidade,
que coincide com a posição de maior conforto. O impulso, que é uma técnica
de treinamento, não deve ser obtido usando-se a resiliência dos músculos.
Isto exige relaxamento muscular, o que expõe os ligamentos articulares à lesões
de difícil cura. O uso de cargas excessivas pode levar às tendinites e
teno-bursites agudas. O excesso de treinamento, a longo prazo, produz tendinites
crônicas, muitas vezes agravadas pelos micro-traumas de exercícios ou técnicas
inadequadas para as alavancas ósseas da pessoa. Deformidades ósseas podem ser
resultado de músculos encurtados ou espásticos, produzidos por lesões neurológicas,
traumáticas ou infecciosas. Não existe possibilidade de que músculos
hipertrofiados produzam os mesmos efeitos. A hipertrofia se acompanha de aumento
de elasticidade muscular e não ocorre hipertonia ou encurtamento. Mesmo no
treinamento não equilibrado entre agonistas e antagonistas, o grau de contração
em repouso de um músculo forte é apenas o suficiente para equilibrar o tonus
do seu oponente mais fraco.
>>Autor: José
Maria Santarém
>>Email: jmsantarem@terra.com.br
>>Página na internet: http://www.saudetotal.com/santarem.htm
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