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>>Artigos >>Nacionais
>>Atualização em exercícios resistidos: velocidade, potência e
resistência aeróbia
>>Autor: José Maria Santarém
>>Data de publicação: 14/03/01
Dando continuidade à análise de como os exercícios
resistidos afetam as diversas qualidades de aptidão física, abordaremos a
velocidade, a potência e a resistência aeróbia.
VELOCIDADE - A velocidade de contração dos músculos
esqueléticos é uma característica com grande dependência genética. Maiores
velocidades de contração são esperadas em pessoas que apresentam predominância
de fibras brancas. O treinamento com exercícios resitidos não altera a
velocidade da contração muscular quando não existe resistência aos
movimentos. Por outro lado, o grande aumento da capacidade contrátil dos músculos
induzido pelos exercícios resistidos pode aumentar significativamente a
velocidade dos movimentos com resistência oposta. Assim sendo, o treinamento
com pesos aumenta a capacidade de aceleração, com consequente aprimoramento do
desempenho em provas de "velocidade", que na realidade são provas de
potência.
POTÊNCIA - Assim como no caso da força e da
resistência anaeróbia, o aprimoramento da potência é uma das características
marcantes dos atletas treinados com pesos. A potência depende basicamente da
velocidade, da força, e da resistência, envolvendo portanto aspectos
neuromusculares, contráteis e metabólicos. Considerando que a velocidade dos
movimentos sem carga sofre pouca influência dos exercícios, o treinamento com
pesos para potência deve objetivar o aumento da capacidade contrátil e metabólica
dos músculos, sendo geralmente usadas séries com cerca de dez repetições. No
caso da potência instantânea ou explosiva, o aspecto da resistência é
desconsiderado e o treinamento costuma enfatizar apenas a capacidade contrátil,
com repetições entre cinco e dez. Preconiza-se que as maiores capacidades
contrátil e metabólica adquiridas por meio dos exercícios resistidos sejam
adaptadas para as necessidades específicas das diversas modalidades esportivas
com a prática da própria atividade. Alguns treinadores preconizam no
treinamento com pesos para potência a utilização de movimentos mais rápidos
do que o habitualmente utilizado em treinamento para hipertrofia, mas os
trabalhos disponíveis até o momento não permitem afirmar que esta proposta
seja a mais eficiente. Por outro lado, movimentos explosivos com pesos são
potencialmente mais lesivos para o aparelho locomotor.
RESISTÊNCIA AERÓBIA - Durante muito tempo se
considerou que esta qualidade de aptidão não fosse aprimorada pelos exercícios
resistidos, devido à constatação de que o VO2 máximo não aumenta
com esse tipo de treinamento. No entanto, verificou-se que corredores e
ciclistas apresentaram melhora no desempenho em provas de fundo da ordem de 11
à 13 %, apenas com a inclusão do treinamento com pesos. Tais resultados foram
atribuidos aos aumentos nos níveis do limiar anaeróbio. Duas hipóteses tentam
explicar o aumento do limiar anaeróbio que acompanha a hipertrofia muscular.
Uma delas preconiza que atletas mais fortes poderiam realizar determinadas
intensidades de esforço apenas com fibras vermelhas, enquanto que atletas mais
fracos utilizariam fibras vermelhas e brancas, produzindo lactato. A outra hipótese
considera que em determinadas intensidades de esforço atletas mais fortes
utilizariam menos do que 40 % da sua capacidade contrátil, enquanto que atletas
mais fracos utilizariam maior número de fibras, ocluindo parcialmente a circulação
e dificultando o metabolismo aeróbio exclusivo.
>>Autor: José
Maria Santarém
>>Email: jmsantarem@terra.com.br
>>Página na internet: http://www.saudetotal.com/santarem.htm
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