|
>>Artigos >>Nacionais
>>Atualização em exercícios resistidos:
o trabalho de força na criança
>>Autor: José Maria Santarém
>>Data de publicação: 14/03/01
A primeira preocupação que este tema sugere é a
segurança do praticante. Todos sabemos que o sistema locomotor imaturo não está
preparado para grandes esforços, e que o processo de desenvolvimento geral do
organismo pode ser afetado por atividade física extenuante. No entanto, outro
aspecto a ser analisado, é a relevância dos possíveis benefícios do
treinamento de força para a criança.
No que diz respeito à segurança, a literatura
apresenta alguns trabalhos muito bem conduzidos que estudaram a criança em
treinamento com pesos (Falk
& Tenenbaum, 1996; Rians
et al, 1987; Risser,
1990; Servedio
et al, 1985; Sewall
& Micheli, 1990; Webb,
1990). Os exercícios resistidos são os mais indicados para o treinamento
de força, e dentre êles, os exercícios com pesos são os mais utilizados em
todo o mundo. As barras e halteres constituem o equipamento convencional da ginástica
com pesos e são os mais usados também para o treinamento de crianças, visto
que os aparelhos mais elaborados são dimensionados para pessoas adultas. A
conclusão geral da análise desses trabalhos é que os riscos para a saúde da
criança são mínimos. Isto se deve a que os exercícios com pesos podem ser
facilmente adaptados às necessidades de cada praticante. A imagem de uma criança
com a respiração bloqueada empurrando um peso em contração muscular isométrica
não existe no treinamento bem orientado. Os exercícios são isotônicos, os
movimentos respiratórios são relativamente livres, as amplitudes dos exercícios
adequadas à flexibilidade do praticante, e as cargas adequadas à força do
indivíduo de tal maneira que várias repetições sejam possiveis antes da
fadiga muscular. Também não existem acelerações e desacelerações violentas
dos movimentos, não existem torções dos diversos seguimentos do corpo em
exercício, e a possibilidade de choques entre praticantes e quedas é
inexistente. Assim sendo, as sobrecargas sobre o aparelho locomotor são em nível
de estímulo ao fortalecimento, com grande margem de segurança com relação
aos níveis críticos para a integridade dos músculos, tendões, ligamentos,
cartilagens e ossos. As hipóteses de que os exercícios com pesos poderiam
esmagar ossos, lesar placas de crescimento e romper estruturas conjuntivas,
provavelmente levantadas a partir de observações traumatológicas gerais, não
foram confirmadas em trabalho científicos. As sobrecargas para o sistema cárdio-circulatório
nos exercícios resistidos de alta intensidade são inferiores às dos exercícios
contínuos de média intesidade, não havendo razões para imaginar efeitos
indesejáveis para crianças em treinamento com pesos. Estudos com adolescentes
hipertensos documentaram redução da pressão arterial de repouso. Um aspecto
teóricamente favorável em relação ao treinamento com pesos para crianças é
que os exercícios resistidos estão entre as atividades físicas que mais
estimulam a liberação do hormônio do crescimento e hormônios gonadotrópicos
pela hipófise. Como em todo tipo de exercício físico para crianças, é
consensual a prudência com relação ao desgaste excessivo produzido por
grandes volumes de treinamento, o que teóricamente poderia prejudicar o bom
desenvolvimento do organismo.
Com relação aos possiveis benefícios do
treinamento de força para crianças, algumas consideraçõe são importantes.
Os exercícios com pesos são de grande utilidade para adultos, com objetivos
diversos, entre êles: o aumento da massa muscular e redução da gordura com
consequente modelagem do corpo; o aprimoramento do desempenho físico visando
competições esportivas; o combate ao sedentarismo e consequente promoção da
saúde geral; lazer e convivência social; exercícios terapêuticos para várias
afeccões músculo-esqueléticas; reabilitação física. Poucos desses
objetivos são comuns na infância. Embora a capacidade contrátil dos músculos
seja bastante estimulada em crianças pelo treinamento com pesos, a massa
muscular aumenta muito pouco. As crianças não devem ser estimuladas para
competições esportivas e o sedentarismo não é frequente nessa faixa etária.
Terapia física e reabilitação são situações particulares, e poucas crianças
demonstram interêsse em praticar exercícios com pesos por lazer. Assim sendo,
entendemos que embora o treinamento com pesos bem orientado seja bastante seguro
para crianças, não existem razões para que o mesmo seja estimulado como
conduta geral para a população infantil. No entanto, nos casos de terapia física,
reabilitação e como opção de atividade física para crianças sedentárias e
geralmente com personalidade introvertida, não há qualquer razão pela qual os
exercícios com pesos não possam ser utilizados.
>>Autor: José
Maria Santarém
>>Email: jmsantarem@terra.com.br
>>Página na internet: http://www.saudetotal.com/santarem.htm
|