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>>Atualização em exercícios resistidos: segurança cardiovascular
>>Autor: José Maria Santarém
>>Data de publicação: 14/03/01
O fato bem conhecido de que os exercícios com
pesos podem induzir grande aumento de pressão arterial, e a imagem de um
levantador de peso realizando uma prova com carga máxima, talvez expliquem o
conceito que muitos profissionais de saúde ainda têm no sentido de que o
treinamento com pesos seria uma atividade de alto risco cardiovascular. No
entanto, a baixa incidência de acidentes cardiovasculares no treinamento com
pesos, e o melhor conhecimento da fisiologia dos exercícios resistidos vieram
trazer mais tranquilidade para os profissionais atualizados. Para compreender o
que ocorre com os exercícios resistidos, inicialmente é conveniente relembrar
os principais mecanismos de acidentes cardiovasculares na atividade física: o
aumento da pressão arterial e o aumento da frequência cardíaca.
O aumento da pressão arterial pode levar ao
rompimento de artérias fragilizadas por aneurismas congênitos ou adquiridos,
aterosclerose, hipertensão arterial ou diabetes. O aumento da frequência cardíaca
caracteriza um aumento de demanda de oxigênio pelo miocárdio, que pode não
ser suprida adequadamente por artérias coronárias parcialmente obstruidas. A
isquemia resultante dessa desproporção entre oferta e demanda de oxigênio
pode levar à angina, infarto, arritmias graves e parada cardíaca. Para avaliar
o risco cardiovascular dos esforços físicos, seja por aumento de pressão
arterial ou de frequência cardíaca, costuma-se utilizar o chamado
Duplo-Produto, parâmetro numérico dado pela multiplicação da frequência
cardíaca pela pressão arterial sistólica. O resultado pode ser dividido por
1.000 para que se tenha um número menor.
Nos exercícios contínuos, a frequência cardíaca
e a pressão arterial aumentam paralelamente com a intensidade do esforço,
justificando a indicação dessa forma de atividade física em intensidade baixa
para pessoas debilitadas por sedentarismo ou doenças. Como os exercícios contínuos
em intensidades baixas ocorrem em metabolismo aeróbio, criou-se a hábito de
afirmar que os exercícios aeróbios são os mais seguros. Todavia, esta afirmação
não vale para os exercícios interrompidos como os exercícios com pesos. Neste
tipo de atividade, o caráter localizado e resistido da contração muscular
determina intensidades relativamente altas de esforço com metabolismo energético
predominante anaeróbio, mas com demanda cardiovascular geralmente discreta. A
pressão arterial sobe sempre um pouco mais do que nos exercícios contínuos,
mas geralmente dentro dos limites de tolerância. Apenas com a ocorrência de
cargas máximas que levem à apnéia e isometria, ocorrem grandes aumentos de
pressão arterial. Normalmente os exercícios com pesos para não atletas são
realizados de maneira isotônica, sem apnéia importante e interrompidos antes
da isometria. Por outro lado, as repetições baixas que normalmente são
utilizadas no treinamento com pesos produzem discreto aumento de frequência
cardíaca. Além disto, os intervalos para descanso muscular entre as séries
fazem com que a frequência cardíaca volte quase aos níveis de repouso antes
de novo esforço.
Em resumo, os exercícios com pesos para não
atletas produzem aumento um pouco maior da pressão arterial em relação aos
exercícios contínuos, mas um aumento de frequência cardíaca muito menor.
Assim sendo, o Duplo-Produto dos exercícios com pesos costuma ser baixo, já
tendo sido demonstrado que caminhar rápido em plano levemente inclinado produz
maior sobrecarga cardiovascular do que o treinamento com pesos utilizando 80 %
de carga máxima. Coronarianos que não tiveram qualquer sinal de isquemia em
treinamento com pesos com 80 % de carga máxima apresentaram sinais ou sintomas
em teste ergométrico sub-máximo em esteira. A explicação é que a frequência
cardíaca mais baixa no treinamento com pesos levou à menor demanda de oxigênio,
e que a pressão arterial diastólica ligeiramente mais alta levou à uma maior
oferta de sangue para o miocárdio. Essas reações cardiovasculares permitem
que os exercícios com pesos sejam utilizados por pacientes com disfunção
coronariana, disfunção contrátil ou distúrbios do rítmo cardíaco,
evidentemente quando bem avaliados e acompanhados.
Um êrro frequente é imaginar que pesos leves
são mais seguros. Com pesos mais leves se fazem mais repetições, o que
aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial, e além disto, se ao
final da série ocorrer isometria e apnéia, a pressão arterial aumentará mais
do aumentaria com mais peso e menos repetições. Em todo o mundo, a maioria dos
pesquisadores que estudam os efeitos dos exercícios com pesos em pessoas idosas
estão utilizando cerca de 80 % de carga máxima, para repetições entre seis e
oito, evidentemente sem isometria e sem apnéia. Apenas para referência, útil
para pessoas que não têm familiaridade com o treinamento com pesos, este nível
de carga no exercício de "leg press" pode significar cerca de 50
quilos para pessoas idosas.
Numerosos trabalhos têm documentado a segurança
músculo-esquelética e cardiovascular do treinamento com pesos não apenas para
pessoas sadias mas também para pessoas debilitadas e que apresentam doenças.
Esses conhecimentos associados aos importantes efeitos dos exercícios com pesos
no aumento de massa óssea, aumento da massa muscular e aumento da mobilidade
articular, têm levado à utilização cada vez maior desses exercícios em
programas de reabilitação geriátrica.
>>Autor: José
Maria Santarém
>>Email: jmsantarem@terra.com.br
>>Página na internet: http://www.saudetotal.com/santarem.htm
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