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>>Artigos >>Nacionais
>>Atualização em exercícios resistidos: metabolismo energético
>>Autor: José Maria Santarém
>>Data de publicação: 14/03/01
A classificação dos exercícios físicos em
aeróbios ou anaeróbios, pode levar à conceitos errôneos. Os exercícios
aeróbios são realizados em estado estável ou seja, praticamente toda a
energia necessária é produzida aeróbiamente. Todavia, nos exercícios
"anaeróbios", a participação aeróbia pode ser grande. Considerando
que nos exercícios aeróbios não se formam sub-produtos inibidores da contração
muscular, como o ácido láctico da via anaeróbia, compreendemos porque o
organismo sempre tenta realizar as atividades aeróbiamente. No entanto, a
quantidade de oxigênio nos músculos no momento do esforço é o principal
fator que determina a possibilidade ou não da utilização da via aeróbia. Nos
esforços que gastam muitas calorias na unidade de tempo (esforços de alta
intensidade), o oxigênio dos músculos é insuficiente para toda a produção
energética, e a via anaeróbia é ativada desde o início. Acumula-se então o
ácido láctico, que leva à fadiga mais ou menos precoce. Por essa razão, os
esforços anaeróbios são interrompidos, exigindo intervalos de recuperação
para a sua continuidade. Todavia, durante os esforços anaeróbios, o organismo
sempre tenta ativar ao máximo a captação e transporte de oxigênio, por
mecanismos reflexos e imediatos, para que a via aeróbia em atividade diminua a
produção anaeróbia de ácido láctico. Por esse mecanismo, ficamos dispneicos
e taquicárdicos após um esforço de alta intensidade (anaeróbio), mesmo
quando o exercício é muito curto. No treinamento com pesos, os intervalos para
descanso ocorrem após cerca de dez movimentos consecutivos, sendo razoável a
participação aeróbia. No entanto, não há tempo de atividade suficiente para
que a participação aeróbia seja máxima. Em esforços anaeróbios mais
prolongados, como nas corridas de velocidade por exemplo, a duração maior do
esforço permite que os mecanismos de captação e transporte de oxigênio sejam
ativados plenamente, podendo ser atingido o VO2 máximo do indivíduo.
Nos exercícios aeróbios, em estado estável,
os substratos energéticos utilizados inicialmente são a glicose e os ácidos
graxos. Com a continuidade da atividade, ocorre diminuição da disponibilidade
de glicose, aumentando a participação dos ácidos graxos e dos aminoácidos. O
acúmulo de corpos cetônicos e de amônia leva à inibição da contração
muscular, de maneira semelhante à que ocorre com o ácido láctico, explicando
assim a fadiga muscular aeróbia, sempre acompanhada de graus variáveis de
desidratação e hipoglicemia.
Nos exercícios anaeróbios, os substratos
energéticos da via anaeróbia são a fosfocreatina e a glicose. A via aeróbia
no entanto, utiliza basicamente a glicose e o ácido láctico. Assim sendo, o ácido
láctico formado na via anaeróbia, é utilizado como substrato energético pela
via aeróbia paralela. A oxidação é o principal mecanismo de eliminação do
lactato durante o exercício.
A compreensão da integração das vias energéticas
nos esforços pode levar à algumas considerações importantes. A comparação
clássica da produção de ATP nas duas vias metabólicas, que demonstra
"maior eficiência energética aeróbia" não tem aplicação prática,
visto que a via anaeróbia é sempre continuada pela via aeróbia, sem
ser uma alternativa. O estímulo à neo-formação capilar, o aumento das
mitocôndrias, e o acúmulo de enzimas oxidativas, não ocorrem apenas nos exercícios
em estado estável, ocontecendo também nos exercícios "anaeróbios",
em função da ativação aeróbia concomitante. A não utilização importante
de ácidos graxos pelos exercícios anaeróbios não deve levar à conclusão de
que tais exercícios não contribuem para a diminuição do tecido adiposo. Como
veremos oportunamente, a redução da gordura corporal ocorre por um processo
metabólico complexo, onde ocorre interconversão de nutrientes, sendo o balanço
calórico negativo o aspecto fundamental.
>>Autor: José
Maria Santarém
>>Email: jmsantarem@terra.com.br
>>Página na internet: http://www.saudetotal.com/santarem.htm
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