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>>Atualização em exercícios resistidos: exercícios com pesos e
qualidade de vida
>>Autor: José Maria Santarém
>>Data de publicação: 14/03/01
Entendemos por boa qualidade de vida, no
sentido da aptidão física, a condição de poder realizar as atividades
desejadas, do ponto de vista biomecânico e homeostático, e sem riscos para a
integridade do organismo. Para tanto, contribuem condições neuro-musculares,
ósteo-articulares, metabólicas e hemodinâmicas. Evidentemente, o grau de
aptidão necessário para uma boa qualidade de vida depende das atividades
pretendidas. Quando existe o desejo de realizar atividades intensas, prolongadas
e frequentes, os níveis de aptidão serão altos, muitas vezes não compatíveis
com a idade da pessoa devido às limitações próprias do envelhecimento, ou
com a presença de condições patológicas. Pessoas com pretenções esportivas
devem buscar um programa de condicionamento físico designado especificamente
para as necessidades de aptidão de sua modalidade, naturalmente adaptado para a
sua idade e condições de saúde. Pessoas não dedicadas à esportes, mas que
desejam aptidão necessária para os esforços da vida diária e do trabalho braçal,
recreativo, doméstico ou profissional, também devem buscar um programa de
exercícios progressivos para esses objetivos. No caso de pessoas idosas sedentárias,
a qualidade de vida está muito relacionada com a independência funcional, pois
a perda de aptidão produzida pela falta de atividade física pode comprometer
gravemente a condição de viver sem depender de outras pessoas.
Dada a importância de intervenções
objetivas, eficientes e seguras para preservar ou restaurar a qualidade de vida
das populações geriátricas, diversos estudos foram realizados com o propósito
de identificar as qualidades de aptidão mais importantes para esses objetivos.
Identificou-se a força e a flexibilidade como as qualidades de aptidão mais
importantes para a independência funcional, para a execução das tarefas mais
comuns no dia a dia das pessoas e para o trabalho braçal em geral. Levantar e
sentar, subir escadas, transportar objetos, utilizar ferramentas e utencílios
diversos são exemplos de atividades em que força e mobilidade articular são
importantes. Vestir as roupas e cuidar da higiene pessoal são tarefas muito
prejudicadas pela falta de mobilidade nas diversas articulações. Em função
de sua eficiência para o aprimoramento da força e da mobilidade articular, o
treinamento com pesos foi bastante estudado, e hoje é considerado a intervenção
mais adequada para pessoas debilitadas e idosas. Analizaremos nesta oportunidade
os aspectos da eficiência e posteriormente os da segurança.
Do ponto de vista da aptidão física, o
treinamento com pesos estimula o desenvolvimento da capacidade contrátil dos músculos
esqueléticos, da sua capacidade metabólica, da flexibilidade articular, e de
adaptações cardiovasculares necessárias para os esforços curtos repetidos e
relativamente intensos. O desenvolvimento da força ocorre por aprimoramento
neuro-muscular, na forma de recrutamento de unidades motoras, e também devido
à hipertrofia dos músculos, estimulada em graus razoáveis até mesmo em
nonagenários. O aprimoramento das capacidades contrátil e metabólica dos músculos
esqueléticos, o aumento da vascularização muscular e da capacidade contrátil
do coração indizidas pelo treinamento com pesos determinam aumento da resistência
para os esforços mais comuns do trabalho e das atividades diárias. A
flexibilidade é estimulada nas pessoas com limitações articulares pela ação
dos exercícios com pesos no sentido de forçar os limites das amplitudes, e em
todas as pessoas pela proliferação de tecido conjuntivo que acompanha a
hipertrofia e torna os músculos mais elásticos. Não ocorre hipertonia em
repouso ou encurtamento nos músculos treinados com pesos como às vezes se
especula.
Se por um lado o aprimoramento da força e da
flexibilidade tem evidente importância biomecânica, a homeostase hemodinâmica
não tem os seus determinantes tão claros. Admite-se que as alterações
perigosas da frequência cardíaca e da pressão arterial apresentadas por
idosos em esforços comuns da vida diária somente pode ser evitadas com o
aumento da força muscular. O mecanismo envolvido é a relação direta
existente entre o número de fibras musculares ativadas nas tarefas, a
intensidade do esforço, e as repercuções hemodinâmicas. Quando uma pessoa
aumenta sua força muscular passa a realizar tarefas específicas com menor número
de fibras. Consequentemente diminui a intensidade do esforço e também as
alterações de frequência cardíaca e de pressão arterial. Este mecanismo não
apenas está reconhecido em reabilitação geriátrica, como também está
estimulando estudos sobre a utilização dos exercícios com pesos em reabilitação
cardíaca. O objetivo da intervenção neste caso não é fortalecer o órgão,
mas protegê-lo nos esforços da vida diária.
Em paralelo com os benefícios em aptidão para
as tarefas da vida diária e do trabalho físico, o treinamento com pesos
apresenta outros importantes efeitos do ponto de vista da saúde, principalmente
para pessoas idosas. Como toda atividade física, diminui os fatores de risco
para doenças crônicas em geral, incluindo a doença coronariana. O aumento da
força muscular e da mobilidade articular podem ser decisivos para a preservação
e reabilitação funcional de articulações com processos degenerativos ou
inflamatórios crônicos. Os mesmo fatores são fundamentais para evitar quedas
nas situações de desequilíbrio do corpo. Os efeitos profiláticos e terapêuticos
em relação à osteoporose são os mais eficientes em comparação com qualquer
outra forma de atividade física. Recentemente documentou-se que em relação à
corrida e natação, apenas o treinamento com pesos pode evitar a sarcopenia do
envelhecimento, cuja patogenia é o desaparecimento de fibras brancas, não
estimuladas por atividades aeróbias. A preservação ou aumento da massa
muscular durante o envelhecimento também tem efeitos metabólicos importantes
como a ativação do metabolismo basal e aumento de tecido captador de glicose,
com relevantes contribuições para o controle da gordura corporal e para a
profilaxia ou tratamento do diabetes mellitus.
>>Autor: José
Maria Santarém
>>Email: jmsantarem@terra.com.br
>>Página na internet: http://www.saudetotal.com/santarem.htm
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