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>>Atualização em exercícios resistidos: adaptações
cardiovasculares
>>Autor: José Maria Santarém
>>Data de publicação: 14/03/01
O estágio atual do conhecimento não permite
afirmar que apenas os exercícios aeróbios apresentam benefícios
cardiovasculares. Para analisar esse tema, dois aspectos devem ser considerados:
a saúde e a aptidão.
Estudos epidemiológicos documentam que a saúde
cardiovascular é estimulada pela atividade física, independentemente de haver
aprimoramento de parâmetros de aptidão hemodinâmicos. Os efeitos salutares
para o sistema cardiovascular proporcionados por qualquer tipo de atividade física
parecem estar relacionados com a menor incidência de obesidade, diabetes,
aterosclerose, hipertensão arterial, trombose vascular, ansiedade e depressão.
Os mecanismos envolvidos já identificados são a elevação da taxa metabólica
devido ao aumento de massa muscular, a tendência para o balanço calórico
negativo, o aumento da sensibilidade das células à insulina, o estímulo do
metabolismo dos carboidratos, a melhora do perfil lipídico do sangue, a redução
da sensibilidade dos vasos e do miocárdio à ação da adrenalina, o estímulo
à fibrinólise, a redução da agregação plaquetária e a redução do
estresse emocional. Assim sendo, do ponto de vista da saúde cardiovascular,
qualquer tipo de atividade física é útil, desde que compatível com os níveis
de aptidão da pessoa. Todos os efeitos salutares anteriormente citados já
foram demonstrados também com relação aos exercícios com pesos.
Adicionalmente aceita-se que, pelo menos com relação à atividade física
esportiva, ocorram estímulos ambientais para que se evite o tabagismo, o
alcoolismo, as drogas, os excessos alimentares e a falta de repouso.
No que diz respeito à aptidão física, os
exercícios aeróbios são reconhecidamente superiores aos exercícios com pesos
para o objetivo de estimular adaptações hemodinâmicas e no sistema de
transporte de oxigênio. Todavia, o treinamento com pesos produz aprimoramento
de vários parâmetros hemodinâmicos, embora no caso de alguns deles, de
maneira menos marcante comparativamente ao treinamento com exercícios contínuos.
Entre esses parâmetros estão a redução da frequência cardíaca, a redução
da pressão arterial, a redução do consumo de oxigênio pelo miocárdio
avaliada pelo duplo-produto (pressão arterial sistólica x frequência cardíaca),
aumento do volume sistólico e aprimoramento de indicadores da função sistólica
e diastólica. Deve ficar claro no entanto que os diversos parâmetros de aptidão
aeróbia e hemodinâmica não avaliam saúde, mas apenas aptidão para
determinados tipos de esforços físicos. Além disso já se demonstrou que,
confirmando o princípio da especificidade do treinamento, as adaptações
cardiovasculares de atletas de resistência são inadequadas para o bom
desempenho hemodinâmico em esforços isométricos intensos, ao contrário do
que ocorre com atletas treinados com pesos. Esforços isométricos são comuns
na vida diária de todas as pessoas.
A sobrecarga de volume sanguíneo proporcionada
pelo treinamento com exercícios contínuos leva à adaptações anatômicas
cardíacas diferentes das proporcionadas pela sobrecarga de pressão dos exercícios
com pesos. Basicamente os exercícios contínuos produzem menor hipertrofia das
paredes do coração e maior aumento de câmaras cardícas, comparativamente aos
exercícios com pesos. A maior hipertrofia do miocárdio produzida pelos exercícios
com pesos é fisiológica, não se acompanhando das complicações da
hipertrofia patológica produzida pela hipertensão arterial crônica. As câmaras
cardíacas podem aumentar ou não durante o treinamento resistido mas nunca
diminuem, como pode ocorrer na doença hipertensiva. Evidentemente atletas de
qualquer modalidade que apresentem hipertensão arterial essencial ou não,
podem apresentar hipertrofia patológica do miocárdio paralelamente às adaptações
de treinamento.
>>Autor: José
Maria Santarém
>>Email: jmsantarem@terra.com.br
>>Página na internet: http://www.saudetotal.com/santarem.htm
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